segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Encontros e despedidas

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica

Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos

Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem

O trem que chega
É o mesmo trem da partida

A hora do encontro
É também da despedida

A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar

É a vida

Maria Rita (cantora)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ser feliz ou ter razão?

Oito da noite. Avenida movimentada. Chuva forte.
O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair.
Ele conduz o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Mas ele tem certeza de que é à direita.
Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:

- "Se tinha tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devia ter insistido comigo um pouco mais."

E ela diz:
- "Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz."
E completa:
- "Querido, estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!"

Esse fato foi contado por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no trabalho.

Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não.

Diante disso, me pergunto: "O que é melhor? Ser feliz ou ter razão?'

E lembrei de um outro pensamento parecido, diz o seguinte:

"Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam."

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Antes e depois da faculdade

COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ENTRAR NA FACULDADE:

1. Não importa o quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela;
2. Você vai mudar completamente e nem vai notar;
3. Você pode amar várias pessoas de maneiras diferentes;
4. Alunos de faculdade também jogam aviões de papel durante as aulas;
5. Se você assistir às aulas calçado, todo mundo vai perguntar por que você  foi tão chique para a faculdade;
6. Cada relógio no prédio mostra um horário diferente;
7. Se você era inteligente no colegial... azar o seu!
8. Você pode saber toda a matéria e ir mal na prova;
9. Você pode saber nada da matéria e tirar dez na prova;
10. A sua casa é um ótimo lugar para se visitar;
11. A maior parte da educação é adquirida fora das aulas;
12 Você vai se tornar uma daquelas pessoas que seus pais falaram para você não se meter com elas;
13. Psicologia é, na verdade, biologia;
14. Biologia é, na verdade química.
15. Química é, na verdade física;
16. Física é na verdade matemática;
17. Ou seja, mesmo depois de estudar anos, você não vai saber nada;
18. Que sentir depressão, solidão e tristeza, não são frescuras de quem não tem o que fazer;
19. Você sempre vai prometer que no próximo semestre você vai estudar mais, farrear menos, mas que sempre acontecerá o contrário;
20. As únicas coisas que compensam na faculdade são os amigos que você fará lá;
21. Você não verá a hora de terminar a faculdade
22. E quando terminar perceberá que foi a melhor época de toda a sua vida.

QUANDO A FACULDADE TERMINA, OS SINAIS DE QUE VOCÊ NÃO ESTÁ MAIS NA FACULDADE ACONTECEM QUANDO:

1. 6:00 h da manhã é quando você acorda, e não quando vai dormir;
2. Você escuta a sua música preferida num elevador;
3. Você carrega um guarda-chuva e dá a maior importância para a previsão do tempo;
4. Seus amigos se casam e se divorciam ao invés de ficarem e terminarem;
5. Suas férias caem de 130 para 15 dias por ano;
6. Calça jeans e camiseta não são mais consideradas vestimenta;
7. É você que chama a polícia porque a mulecada do vizinho não sabe como abaixar o som;
8. Você não sabe mais que horas os auto-lanches fecham;
9. Dormir no sofá te dá uma puta dor nas costas;
10. Você não tira mais aquele cochilo do meio-dia as 6 da tarde durante semana;
11. Você come as comidas do café da manhã na hora do café da manhã;
12. Mais de 90% do tempo em que você passa em frente a um computador, você está trabalhando de verdade;
13. Você não bebe mais sozinho em casa antes de sair para economizar dinheiro antes da noitada

Separação

Faz mais de um ano.

Você pode argumentar: Foi você quem terminou.

Na verdade, fui eu quem decidi. Mas quem terminou fomos nós.

Eu sabia das consequências...ou pelo menos, achava que sabia.

Hoje, depois de todo esse tempo, muitas coisas ficaram claras.

Mas me pergunto: por que dói ainda?

Porque não aprendi a dizer adeus. Está difícil, mas chegou a hora.

Preciso me libertar deste sentimento ruim chamado posse. E deixar você ir para ser feliz de novo.

A frustração da relação que não deu certo, vai passar. Porque tudo na vida passa. Essa é uma das leis do universo.

A paixão já se foi. Mas o amor fica. Só consigo te amar: pela pessoa que é e sempre foi.

A separação seria mais fácil se houvesse o anti-amor. Mas nossa história não seria tão poética.

Sejamos felizes, então.

Do jeito que Deus quer. Ele só quer a nossa felicidade.

Texto dedicado ao meu amigo, irmão, companheiro e, por último, ex-marido Cláudio Palmieri.

Natascha Lopes

Life

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O amor e a arte do não fazer

Existem coisas que só acontecem, que não podem ser feitas. O fazer diz respeito a coisas muito banais, mundanas. Você pode fazer alguma coisa para ganhar dinheiro; pode fazer alguma coisa para ser poderoso, pode fazer alguma coisa para ter prestígio; mas não pode fazer nada quando o assunto é amor, gratidão, silêncio.

É importante entender que o "fazer" significa o mundo, e o não fazer significa aquilo que está além deste mundo — onde as coisas acontecem, onde só a maré o arrasta para a praia. Se você nadar, a coisa não acontece. Se você fizer algo, estará na verdade cooperando para que ela não aconteça; porque todo fazer é mundano.

Muito poucas pessoas chegam a conhecer o segredo do não fazer e a deixar que as coisas aconteçam. Se você almeja grandes coisas — coisas que estão além do pequeno alcance das mãos humanas, da mente humana, das capacidades humanas —, então você terá que aprender a arte do não fazer. Eu a chamo de meditação.

É um problema, porque no momento em que se dá nome a ela, as pessoas começam a se perguntar como "fazê-la". E você não pode dizer que elas estejam erradas, porque a própria palavra "meditação" cria a ideia de fazer. Elas têm o seu doutorado, têm milhões de outras coisas; quando ouvem a palavra "meditação", perguntam "Então me diga como fazer isso".

E a meditação significa basicamente o início do não fazer, relaxar, seguir a maré — ser apenas uma folha na brisa, ou uma nuvem se movendo no céu.

Nunca pergunte a uma nuvem: "Para onde você está indo?". Ela própria não sabe; ela não tem endereço, não tem destino. Se o vento mudar enquanto ela ia para o sul, ela começa a ir para o norte. A nuvem não diz ao vento: "Isso é absolutamente ilógico. Estávamos indo para o sul e agora estamos indo para o norte. Qual o sentido disso tudo?"

Não, ela simplesmente passa a ir para o norte, com tanta facilidade quanto ia para o sul. Para ela, sul, norte, leste, oeste, não faz nenhuma diferença. Apenas siga com o vento, sem nenhum desejo, sem nenhum objetivo, sem nenhum lugar para chegar; a nuvem só aprecia a jornada. A meditação faz de você uma nuvem — de consciência. Não existe mais objetivo.

Nunca pergunte a quem medita: "Por que está meditando?", porque a resposta é irrelevante. A meditação é, ela própria, o objetivo e, ao mesmo tempo, o caminho.

Deveria existir uma outra história, uma história superior, verdadeira — da consciência humana, da evolução humana.

Lao-Tsé chegou à iluminação sentado sob uma árvore. Uma folha tinha acabado de cair; era outono e não havia pressa; a folha voava ao sabor do vento, devagar. Ele observou a folha. A folha foi caindo até chegar ao chão, e enquanto observava a folha caindo e pousando no chão, de algum modo ele também foi se aquietando. Desse momento em diante, ele se tornou um não fazedor. O vento sopra naturalmente e a existência cuida dele.

Todo o ensinamento de Lao-Tsé se assemelhava ao do rio: siga a corrente seja para onde ela for, não nade. Mas a mente sempre quer fazer alguma coisa, porque desse modo o crédito vai para o ego. Se você simplesmente seguir a maré, o crédito vai para a maré, não para você. Se você nadar, você pode ter um ego maior: "Eu consegui atravessar o canal da Mancha!"

Mas a existência o dá à luz, lhe dá a vida, lhe dá amor; lhe dá tudo o que é precioso, tudo o que não pode ser comprado com dinheiro. Só aqueles que estão prontos para dar todo o crédito pela sua vida à existência percebem a beleza e as bênçãos do não fazer.

Não é uma questão de fazer. É uma questão de ausentar-se como ego, de deixar as coisas acontecerem.

Entregue — essa palavra contém toda a experiência.

Existem pessoas que estão tentando amar, porque desde o início a mãe dizia ao filho: "Você tem que me amar, porque eu sou sua mãe". Agora ela está fazendo do amor o mesmo silogismo lógico — "porque eu sou sua mãe". Ela não está deixando que o amor cresça por si só, ele tem que ser forçado.

O pai está dizendo: "Me ame, eu sou o seu pai". E a criança é tão indefesa que tudo o que ela pode fazer é fingir. O que mais pode fazer? Ela pode sorrir, pode dar um beijo, e sabe que é tudo fingimento: ela não queria fazer aquilo, é tudo enganação. Não é espontâneo. Mas porque ele é o papai, ela é a mamãe, você é aquilo, você é aquilo outro... Eles estão estragando a mais preciosa experiência da vida.

Então as esposas dizem aos maridos: "Você tem que me amar, eu sou a sua mulher". Estranho. Os maridos estão dizendo: "Você tem que me amar. Eu sou o seu marido, é um direito meu!"

O amor não pode ser exigido. Se ele vier, seja grato; se não vier, espere. Mesmo que você esteja esperando que ele venha, não deve haver queixas, porque você não tem nenhum direito. O amor não é um direito de ninguém, não existe uma constituição que lhe confira o direito de viver o amor. Mas eles estão destruindo tudo, então as esposas vivem sorrindo e os maridos dando abraços.

Um dos mais famosos escritores dos Estados Unidos, Dale Carnegie, escreveu que todo marido deveria dizer à esposa pelo menos três vezes por dia: "Eu te amo, querida". Você está ficando louco? Mas ele disse isso, e funciona; e muitas pessoas, milhões delas, estão colocando em prática o conselho de Dale.

"Quando for para casa, leve sorvete, flores, rosas, para mostrar que ama a sua mulher", como se isso fosse algo que precisasse ser mostrado, provado materialmente, pragmaticamente, linguisticamente, verbalmente, vezes e vezes sem conta, para que não seja esquecido.

Se você não disser à sua esposa durante alguns dias que a ama, ela contará quantos dias se passaram e se encherá de suspeita, achando que você deve estar dizendo isso para outra pessoa, pois a quota dela está diminuindo. O amor é uma quantidade. "Se ele não está mais trazendo sorvete para casa, deve estar levando para outro lugar, e isso é algo que não posso tolerar!"

Criamos uma sociedade que acredita somente no "fazer", enquanto a parte espiritual do nosso ser morre à míngua porque precisa de algo que não se faz, mas acontece. Não que você dê um jeito de dizer: "Eu te amo"; você de repente se pega dizendo que ama. Você mesmo se surpreende ao ouvir o que diz. Não ensaiou na sua cabeça primeiro e depois repetiu, nada disso; é espontâneo.

E, na verdade, os momentos reais de amor são silenciosos. Quando você está realmente sentindo amor, esse mesmo sentimento cria à sua volta uma radiância que diz tudo o que você não consegue dizer, que nunca pode ser dito.

Mas, em vez disso, nós damos um jeito em tudo, transformamos tudo num "fazer" e o resultado final é que aos poucos a hipocrisia se torna uma característica nossa. Nós nos esquecemos completamente que se trata de hipocrisia.

E na mente, no ser de uma pessoa que é hipócrita, qualquer coisa do mundo do não fazer é impossível. Você pode continuar fazendo mais e mais; você se tornará quase um robô.

Portanto, sempre que você passar, subitamente, por uma experiência de acontecer, encare-a como uma dádiva da existência e faça desse momento o arauto de um novo estilo de vida.

Simplesmente reserve alguns momentos das 24 horas do dia, quando não estiver fazendo nada, simplesmente deixe que a existência faça algo a você. E as janelas começarão a se abrir para você, janelas que o ligarão com o universal, o imortal.

Osho

Reviva o amor. Viva os reencontros.

A força de uma Paixão Antiga já foi cantada por Tim Maia com esta letra de Marcos e Paulo Sérgio Valle:

Paixão antiga sempre mexe com a gente é tão difícil esquecer
Basta um encontro por acaso e pronto começa tudo outra vez
E vendo você o coração parece que vai saltar
Pelo meu corpo, saudade em todo lugar.


Nos últimos dias, soube de várias histórias de reencontros, depois de 5, 10 e até 25 anos... Os protagonistas de ‘re-amores’ assim ficam estarrecidos, ainda mais apaixonados e crentes de que foram feitos um para o outro. Realmente, há algo de mágico nos reencontros, na revivescência do amor. Há algo tal qual maktub, como se nada pudesse fazer com que o destino não se cumprisse.

Quase uma poesia. Sinto-me tentada a transformar este texto num poema cadente, escorrido da essência de tais histórias, tais ‘reacendimentos’ de afetos. Quero dedicá-lo a quem se entrega, a quem se permite, a quem - mesmo morrendo de medo - não deixa que os anos lhes tirem a capacidade de acreditar que amor não tem idade, não tem tempo, não tem distância. Acontece a despeito das marcas no corpo, das dores ressequidas, das desilusões que até poderiam ter amargurado todo o resto de suas vidas... mas não, porque se souberam interminavelmente amantes.

Quero falar de ressurreição cor-de-rosa, de fazer acordar almas adormecidas pelo preconceito de que a idade desabilita um coração, seja de homem, seja de mulher. Quero fazer um tributo ao recomeço, à chance que cada um pode se dar de tentar novamente, de reencontrar-se, seja com uma paixão antiga, seja consigo mesmo, tão velho conhecido, tão displicentemente abandonado.

Porque nada pode doer mais do que a descrença na paixão. Nada pode enrugar tanto uma pessoa, com alma e tudo, do que a sua desistência de amar. Sei que, muitas vezes, os anos podem abafar os desejos, encobrir os sonhos, transformar as prioridades.

Entretanto, da mesma forma, sei que o amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, quase convencendo a quem olha de fora de que já não existe mais em determinados corações. Em alguns casos, parece-nos até que nunca existiu. Mas isso não é de fato uma verdade! Continua ardendo, continua pulsando, continua doendo.

Basta um encontro por acaso e pronto, começa tudo outra vez!

Deixe-se recomeçar. Provoque um encontro por acaso. Reencontre-se numa praça em que você não vai há tantos anos... Reapaixone-se por si mesmo. Vista aquele velho tailler de bolinhas, aquele terno quase desbotado, de tanto tempo que não sai do armário. Arrisque um batom mais escuro, uma gravata mais ousada, um sapato mais colorido, uma loção pós-barba diferente... ou a mesma de sempre. Arrisque. Apenas arrisque e deixe o amor ressurgir numa antiga sensação de felicidade...

Rosana Braga

FONTE:  http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=3526

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Bons amigos

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

Você é

Você é os brinquedos que brincou
As gírias que usava
Você é os nervos a flor da pele no vestibular
Os segredos que guardou

Você é sua praia preferida
Você é o renascido depois do acidente que escapou

Aquele amor atordoado que viveu
A conversa séria que teve com seu pai

Você é o que você lembra

Você é a saudade que sente da sua mãe


O sonho desfeito quase no altar
A infância que você recorda

A dor de não ter dado certo
De não ter falado na hora

Você é aquilo que foi amputado no passado
A emoção de um trecho de livro
A cena de rua que lhe arrancou lágrimas

Você é o que você chora
Você é o abraço inesperado

A força dada para o amigo que precisa

Você é o pelo do braço que eriça
A sensibilidade que grita
O carinho que permuta

Você é as palavras ditas para ajudar
Os gritos destrancados da garganta
Os pedaços que junta

Você é o orgasmo da gargalhada
O beijo

Você é o que você desnuda
Você é a raiva de não ter alcançado

A impotência de não conseguir mudar

Você é o desprezo pelo governo
O ódio que tudo isso dá

Você é aquele que rema,
Que cansado não desiste

Você é a indignação com o lixo jogado do carro
A ardência da revolta
Você é o que você queima
 

Você é aquilo que reivindica
O que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta

Você é os direitos que tem
Os deveres que se obriga

Você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca
Você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste. 


Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê.

Você é o que ninguém vê.

Martha Medeiros
Trecho de Non Stop

É proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda