quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Em busca do consumo consciente

Muitas pessoas querem ser ricas financeiramente porque acreditam que a riqueza vai permitir a elas comprarem o que quiserem.

Pra muitas dessas pessoas, comprar o que quiser significa ter liberdade.

Significa não ser escravo de circunstâncias ou pessoas. Daí, ocorre um efeito interessante.

Obviamente, quando você tem a chance de comprar algo que lhe permita afirmar a si mesmo que você tem liberdade, então você vai comprar aquilo.

E sua conta vai ter menos dinheiro do que antes. E o ciclo vai continuar. Perpetuamente.

O seu inconsciente quer que você faça escolhas que te permita se sentir livre. É espantoso como a nossa mente funciona.

Se ser rico for mesmo comprar o que quiser para se ter a sensação de liberdade, então você estará sempre com a conta vazia, porque liberdade está associada ao ato da compra.

Na busca pela liberdade, milhões de pessoas (possivelmente bilhões) compram compulsivamente.

Na busca pela sensação de poder e riqueza, a maioria das pessoas compram o que não querem com o dinheiro que elas não têm.

O banco soluciona o problema do "dinheiro que elas não têm" com a bela invenção dos empréstimos.

"Usura" é o nome desse jogo que os bancos jogam, e ele também tem um limite.

Foi mais ou menos essa a definição de riqueza que levou os Estados Unidos à sua situação atual. Péssima situação, com risco de calote global.

O sonho de liberdade americano é comprar escancaradamente.

E muitos outros países sofrem desse mesmo dogma. (Isso é praticamente uma entidade santa no inconsciente coletivo...)

O mundo está um perigo, e esse é um padrão que precisa ser quebrado.

Ser rico não é ter dinheiro para comprar qualquer coisa.

E poder comprar qualquer coisa não significa ser livre. Nem de longe. Ou pelo menos, não pode ser assim.

Porque, se for, o seu inconsciente vai estimular o ato da compra incessantemente, pra que você experiencie injeções de "sensação de liberdade", que resultará em viver de fato uma vida de dívidas financeiras.

E consequentemente, aprisionamento REAL.

Essa construção intelectual de liberdade através do ato da compra é um argumento retórico (manipulativo), criado por políticos americanos na época das Grandes Guerras Mundiais.

O rico tem dinheiro para comprar qualquer coisa? Sim.
O rico é rico porque quer comprar qualquer coisa? Não.

São coisas diferentes. E a diferença é GRITANTE.

As implicações comportamentais de idéias mal avaliadas são gigantescas.

Você pode, basicamente, se enfiar em um buraco por conta das definições que você mais ama.

E o amor às coisas erradas leva à decadência.

Por Rodrigo Santiago, life coach

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