Ao tomarmos uma decisão, o cérebro ativa 3 engrenagens: o instinto, a experiência e a razão.
Para nos levar à melhor alternativa, o cérebro tem um sistema capaz de esmiuçar dilemas. Esse sistema conta com 3 engrenagens, ativadas por qualquer escolha que apareça na nossa frente - pode ser algo que nos obrigue a mudar de cidade ou só a trocar a marca da margarina.
Uma das engrenagens representa o desejo de chegar à conclusão mais lógica.
Outra está ligada a tudo o que você já viveu e aprendeu.
E a terceira tem a ver com seus antepassados.
Cada uma das 3 analisa as alternativas por um ponto de vista, mas nenhuma dá conta de resolver o problema sozinha. É como se o trio formasse uma banca de advogados. Individualmente, cada engrenagem tem uma opinião, mas precisa apresentá-la às outras e convencê-las. Como acontece em qualquer discussão, alguma delas vai falar mais alto. E a banca apresentará o caminho a ser tomado, em conjunto. Pronto, está tomada a decisão.
Ainda que queira nosso bem, essa banca às vezes nos coloca numa enrascada. Mas dá para se prevenir. E o primeiro passo é conhecer essas tais engrenagens. Para isso, pedimos que você faça algo simples: escolha.
INSTINTO
No dia a dia o instinto entra em cena em situações banais e cruciais. Se você está dirigindo na estrada e vê um posto, talvez fique com vontade de ir ao banheiro (é o instinto vendo a oportunidade de ajudar o corpo). Mas, se uma pessoa com jeito suspeito também entrar no posto, você dará meia-volta, confiando na sensação que indica um assalto prestes a ocorrer. Em uma festa, se você está à procura de um par, os instintos também vão agir. Você carrega milhares de anos de evolução na arte de buscar o parceiro ideal, mesmo sem saber nada disso racionalmente. Cheiros, jeito de expressar, tudo é avaliado no seu cérebro sem que você perceba. Se uma boa combinação aparecer, o instinto vai lançar estímulos para a parte racional do cérebro. E você se sentirá atraído por alguém.
"Sem o instinto, não conseguiríamos escolher as coisas mais básicas da vida", diz André Palmini, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul. Mas é importante lembrar que o instinto zela pela sua integridade no instante em que a escolha aparece. Ou seja: ajuda principalmente nas decisões imediatas. Quando ele escolhe alguém em uma festa, não está dizendo que você deve se casar com ela - isso depende também das outras engrenagens do cérebro.
QUANDO USAR: Se não der tempo de recorrer à razão
EXPERIÊNCIA
Todas as experiências que acumulamos na vida são registradas e catalogadas por uma região do cérebro, o sistema de recompensas. Essa área se lembra de tudo o que nos deu prazer em algum momento da vida. E do que nos deu frustração. Esses dados ficam guardados porque podem ser extremamente úteis em certos momentos.
Como quando um atacante se vê diante do goleiro e precisa chutar no lugar certo para fazer o gol. É melhor buscar o canto, num toque rasteiro, ou encobrir o goleiro? Ele não tem muito tempo para calcular a velocidade da bola, estudar a posição do goleiro, analisar a distância do gol. Não pode agir racionalmente - será guiado pela experiência. Em todas as jogadas parecidas vividas pelo jogador, o sistema de recompensas anotou o nível de prazer e de frustração de cada chute. Nos que foram bem-sucedidos, neurônios liberaram dopamina, uma substância ligada ao prazer, e associaram as jogadas com alegria. Agora, diante de um quadro parecido, os neurônios já sabem o que fazer: disparar dopamina antes do chute. É um aviso para o resto do cérebro que indica o caminho a ser seguido. E o jogador terá a certeza de que uma das jogadas parece mais acertada do que as outras. Antes que ele possa refletir, sua perna já terá disparado o chute.
QUANDO USAR: Quando precisamos decidir imediatamente e temos a sensação de que uma opção é melhor do que a outra.
RAZÃO
Lá vem dor de cabeça. É o que pensamos quando tomamos uma decisão importante, como mudar para uma nova casa. Aliás, casa... ou apartamento? Em qual bairro? Com ou sem área de lazer? Processar todos esses cálculos parece um martírio para o cérebro. Mas nós temos um método bem bom para matar essa leva de trabalho, desenvolvido pelo córtex pré-frontal (a área do cérebro que fica logo atrás da testa e raciocina em cima dos nossos problemas). O sistema é simples: comparar tudo. Se estamos indecisos entre alugar ou comprar um imóvel, o cérebro compara todas as consequências das duas opções. Ele não quer saber se você está prestes a realizar o sonho da casa própria - vai analisar, dado a dado, se o negócio vai ser mais vantajoso. Como um contador olhando um balanço. QUANDO USAR: Quando o resultado da escolha impõe mudanças drásticas ou tem impacto no seu futuro.
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