segunda-feira, 9 de abril de 2012

Você ainda pesquisa preço?

Quando criança eu tinha impressão de que minha mãe comprava mais do que hoje quando ia ao supermercado. Hoje sei que era só impressão. 

Naquela época (década de 80), a inflação era como uma montanha-russa, onde os preços viviam num sobre e desce sem fim. Em dois dias você tinha variação de preço de mais de 50%. Por isso, as compras eram feitas para estocar, pois não sabíamos se no outro dia estaria o mesmo preço.

Como aliado, o brasileiro tinha aquele caderninho no qual fazia a pesquisa de preços de sua lista de compras para economizar no máximo de itens que pudesse.

Na década de 90, o Brasil se abriu aos produtos importados e com a adoção do Plano Real a inflação se estabilizou proporcionando ao consumidor brasileiro maior poder de compra e acesso a produtos de ponta. 

Durante os últimos 15 anos, o perfil de consumo e hábitos dos brasileiros foram se transformando. Alguns fatores externos que contribuíram para a formação do atual consumidor brasileiro foram:

1. Aumento de divórcios: este fator aumentou o número de pessoas sozinhas, o que criou um novo nicho de mercado, com demanda de produtos e serviços específicos, como alimentos industrializados em embalagens single, autosserviços, etc.

2. Investimentos em saúde: houve um crescimento do número de idosos devido ao incremento da medicina preventiva, maior acesso a medicamentos de uso contínuo subsidiados pelo governo, proporcionando às pessoas da terceira idade o aumento da expectativa de vida e melhor qualidade de vida. O nicho de mercado da terceira idade também tem exigido produtos e serviços personalizados e que ainda não está sendo explorado. 

3. Aumento do poder aquisitivo: com maior poder de compra, o consumidor brasileiro atual que antes se preocupava com o básico agora pode comprar o supérfluo. Com isto, o brasileiro teve acesso mais facilmente a crédito e financiamentos de longo prazo, o que proporcionou a aquisição do primeiro computador, do primeiro carro e também da casa própria. Além de experienciar viajar de avião, conhecer lugares nacional e internacionalmente. O brasileiro também teve acesso ao ensino superior com a adoção de políticas educacionais e de financiamento estudantil que estão proporcionando qualificação da mão-de-obra, fato que aumenta a competitividade no mercado de trabalho e aquece outros setores da economia como os cursos profissionalizantes, de idiomas e agências de intercâmbios.

Para esta nova classe de consumidores deu-se o nome de classe C ou nova classe média. Este consumidor que antes fazia pesquisa de preço de tudo, faz agora somente pesquisa de preço em produtos de alto valor agregado como refrigeradores, notebooks, entre outros. 

Com a nova onda de consumo desenfreado, o efeito colateral é o aumento da inadimplência e da inflação, que apesar das medidas adotadas pelo governo de controle ao crédito, os índices ainda estão altos.

Agora voltamos para nosso antigo caderninho, lembra? Aquele de pesquisa de preços.

Ou não?


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