segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Carta para meu pai

Pai,

O amor é indescritível.
Não ouso chamá-lo de sentimento porque sensações são perceptíveis apenas aos sentidos humanos.
Por isso, digo que o amor é um dom. Um dom divino.
Pais e mães, em sua maioria, são acometidos pelo amor.
Esse dom tão enigmático que nós humanos o classificamos de incondicional quando não sabemos racionalizar as renúncias próprias que fazemos pelo outro.

Mas tenho certeza que isso é amor, pois Deus deu a vida de seu único filho por amor. Estas palavras que hoje escrevo vieram depois de eu ter ouvido uma música que há tempos não escutava, "O Mundo Anda Tão Complicado", do Legião Urbana. Mas o trecho que me chamou atenção foi:

"...Quero ouvir uma canção de amor que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo por amor
Por amor."

Abdicar, renunciar. Acredito que sejam os verbos mais frequentes em nossas vidas depois que nos tornamos pais e mães. Porém, só entende a necessidade da renúncia quem ama.

Ainda não sou mãe, mas por duas vezes já renunciei por amor: quando fui para Curitiba e quando voltei para Belém.

Agradeço a Deus por ter me dado o dom de amar. Pois só assim posso retribuir um pouco do amor que recebo todos os dias.

Um dia todos vamos partir desse mundo, só não sabemos quando.

Por isso, queria lhe pedir um favor: me escreva uma carta. Coloque nela todos aqueles grandes conselhos que só você sabe e tem para me dar.

E então, assim, lhe terei para sempre por todos os dias restantes de minha vida.

Por Natascha Lopes

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