segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um novo marketing para um novo mercado de luxo

Shockvertising” e “Porno Chic”. Esses são dois termos que, segundo Alice Goubault de Brugière e Roxane Barry, alunas da Escola de Negócios da Universidade de Halmstad, começam a ser muito pelas marcas de luxo nas redes sociais. As alunas estudaram, principalmente, o impacto que as redes sociais têm sobre a forma de se comunicar das grandes maisons francesas, e analisaram como estas vêm utilizando o Facebook como veículo de vendas para seus produtos.

O luxo tem a mesma importância para a França que a monarquia para a Inglaterra, exceto que o mercado de luxo gera cerca de 35 bilhões de euros para os franceses. Porém, um mercado que começou principalmente alardeando a exclusividade parece estar aderindo a veículos bem populares, que são as redes sociais, com o objetivo de incrementarem as vendas.

Segundo as estudantes, uma das perguntas-chaves do seu trabalho foi identificar se a exposição da marca no Facebook não seria um “tiro no pé” para as empresas de luxo. Porém, fica claro para ambas que em termos de ferramentas de marketing e conceitos de notoriedade, tanto marcas “normais” quanto as de luxo se utilizam dos mesmos instrumentos. “De fato, marcas de luxo são parcialmente exclusivas, mas não podem alcançar todas as gerações ao mesmo tempo”, cita o texto. Porém, uma estratégia que vem sendo utilizada por algumas dessas marcas é anunciar em páginas privadas, longe dos olhos curiosos de todos os mortais.

O que preocupa, no entanto, é a forma como estas marcas vêm explorando estes espaços para a venda de produtos. Tanto o shockvertising quanto o porno chic contrastam com os valores culturais e éticos da maioria da população francesa, isso se assumirmos que o mercado visado por estas marcas é o francês. De certa forma, porém, agrada principalmente a culturas mais despojadas.

O Shock advertising ou Shockvertising é um tipo de publicidade que geralmente ofende a audiência por meio da transgressão de valores e normas morais. Foi uma técnica muito utilizada pela Benetton, por exemplo. Já o porno chic explora a nudez, o corpo e muitas vezes os genitais masculinos ou femininos na publicidade. Um exemplo pode ser visto aqui.

Um blog francês, em um dado momento, questionou: “Etes-vous pour ou contre le porno chic ? Les avis sont très partagés. Forme d’expression publicitaire sans conséquences pour les uns, utilisation dégradante de l’image de la femme pour d’autres. ( Você é contra ou a favor ou porno chic? As opiniões são muito divididas. Forma de expressão publicitária sem consequências para uns, utilização degradante da imagem feminina para outros)”.

A conclusão das autoras do estudo é de que tanto o shockvertising quanto o porno chic precisam focar o grupo certo de pessoas, isso inclui o uso de técnicas que protegem os anúncios daqueles que teoricamente não fazem parte do grupo de consumo da marca nas redes sociais. Como podemos ver, nem sempre as redes sociais são sinônimas de popularesco. O espaço é grande, e parece que todos já estão por lá, até mesmo os “exclusivos”. Para ler a tese completa, clique aqui (arquivo em PDF e em inglês).

FONTE: Network4b.com (20/08/11)

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